Aprender · Setor público e manutenção

BIM na manutenção a partir de 2028: o que muda.

A terceira fase do Decreto BIM leva o modelo para depois da entrega da obra. Entenda o calendário e como se preparar.

Guia prático · leitura de 6 minutos · atualizado em novembro de 2026

O Decreto 10.306/2020 definiu um calendário em três fases para o uso do BIM nas obras e serviços de engenharia da administração pública federal. As duas primeiras já estão em vigor. A terceira começa em 1º de janeiro de 2028 e leva o BIM para depois da entrega da obra: a fase de operação e manutenção.

As três fases

  • 1ª fase (desde 2021): projetos de arquitetura e engenharia em BIM, com modelos, quantitativos e documentação gráfica extraída dos modelos, para obras de grande relevância.
  • 2ª fase (desde 2024): soma orçamentação, planejamento e controle da execução da obra, e a atualização do modelo como construído (as built).
  • 3ª fase (a partir de 2028): soma o gerenciamento e a manutenção do empreendimento depois da construção, para obras projetadas e executadas em BIM, e passa a abranger também as obras de média relevância.
Fique de olho: a Estratégia BIM BR foi atualizada pelo Decreto 11.888/2024, e o plano de trabalho do seu Comitê Gestor prevê propor a revisão do Decreto 10.306/2020. O calendário vale como está até que um novo ato o altere.

O que muda na prática

Até aqui, o BIM no setor público era assunto de projetistas e construtoras. A partir de 2028, o modelo precisa continuar vivo depois da obra: quem opera o prédio recebe o modelo as built e passa a usar as informações dele para manter, reformar e controlar os ativos.

  • Para o órgão dono do prédio: definir que informação precisa receber na entrega (o que a ISO 19650 chama de requisitos de informação do ativo), ter um ambiente comum de dados para guardar e atualizar os modelos e um sistema de manutenção que use esses dados.
  • Para as empresas de manutenção e facilities: contratos que pedem registro das intervenções ligado ao modelo, cadastro de ativos a partir do IFC e relatórios com base nele.
  • Para projetistas e construtoras: entregar o as built com as propriedades que a operação vai usar, não só a geometria.

Como se preparar desde já

  1. Escolha um prédio-piloto e organize o cadastro de ativos, mesmo que a partir da planta em DWG ou PDF.
  2. Defina quais informações cada tipo de equipamento precisa ter (fabricante, garantia, manual, periodicidade de manutenção).
  3. Tenha um ambiente comum de dados para receber os modelos dos contratados e guardar as versões.
  4. Coloque a manutenção num sistema que ligue cada ordem de serviço ao ativo e ao lugar onde ele está.
  5. Inclua no termo de referência das próximas obras a entrega do as built em IFC com essas informações.

Na linha ACCA, esse caminho passa pelo usBIM.platform (ambiente comum de dados), pelo usBIM.maint (manutenção ligada ao modelo), pelo usBIM.IoT (sensores) e pelo usBIM.geotwin (ativos no mapa).

Fontes: Decreto 10.306/2020; Decreto 11.888/2024; Plano de Trabalho da Estratégia BIM BR 2025–2027. Resumo informativo; não substitui a leitura dos atos oficiais.

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