O Decreto 10.306/2020 definiu um calendário em três fases para o uso do BIM nas obras e serviços de engenharia da administração pública federal. As duas primeiras já estão em vigor. A terceira começa em 1º de janeiro de 2028 e leva o BIM para depois da entrega da obra: a fase de operação e manutenção.
As três fases
- 1ª fase (desde 2021): projetos de arquitetura e engenharia em BIM, com modelos, quantitativos e documentação gráfica extraída dos modelos, para obras de grande relevância.
- 2ª fase (desde 2024): soma orçamentação, planejamento e controle da execução da obra, e a atualização do modelo como construído (as built).
- 3ª fase (a partir de 2028): soma o gerenciamento e a manutenção do empreendimento depois da construção, para obras projetadas e executadas em BIM, e passa a abranger também as obras de média relevância.
O que muda na prática
Até aqui, o BIM no setor público era assunto de projetistas e construtoras. A partir de 2028, o modelo precisa continuar vivo depois da obra: quem opera o prédio recebe o modelo as built e passa a usar as informações dele para manter, reformar e controlar os ativos.
- Para o órgão dono do prédio: definir que informação precisa receber na entrega (o que a ISO 19650 chama de requisitos de informação do ativo), ter um ambiente comum de dados para guardar e atualizar os modelos e um sistema de manutenção que use esses dados.
- Para as empresas de manutenção e facilities: contratos que pedem registro das intervenções ligado ao modelo, cadastro de ativos a partir do IFC e relatórios com base nele.
- Para projetistas e construtoras: entregar o as built com as propriedades que a operação vai usar, não só a geometria.
Como se preparar desde já
- Escolha um prédio-piloto e organize o cadastro de ativos, mesmo que a partir da planta em DWG ou PDF.
- Defina quais informações cada tipo de equipamento precisa ter (fabricante, garantia, manual, periodicidade de manutenção).
- Tenha um ambiente comum de dados para receber os modelos dos contratados e guardar as versões.
- Coloque a manutenção num sistema que ligue cada ordem de serviço ao ativo e ao lugar onde ele está.
- Inclua no termo de referência das próximas obras a entrega do as built em IFC com essas informações.
Na linha ACCA, esse caminho passa pelo usBIM.platform (ambiente comum de dados), pelo usBIM.maint (manutenção ligada ao modelo), pelo usBIM.IoT (sensores) e pelo usBIM.geotwin (ativos no mapa).
Fontes: Decreto 10.306/2020; Decreto 11.888/2024; Plano de Trabalho da Estratégia BIM BR 2025–2027. Resumo informativo; não substitui a leitura dos atos oficiais.